A etapa final de entrega – o “last mile” – tornou-se o elo mais estratégico e sensível na logística moderna. À medida que o comércio eletrônico continua a crescer rapidamente e a expectativa por entrega no mesmo dia ou no dia seguinte se intensifica, o desempenho da última milha agora determina a diferença entre excelência operacional e declínio competitivo.
De acordo com a GlobeNewswire, o mercado global de entrega de última milha deve atingir US$ 170,6 bilhões até 2025, crescendo a uma taxa média anual de 12,8% até 2034. No Brasil, o desafio é particularmente acentuado. Transportadoras, marketplaces e provedores de logística estão sob pressão crescente para reinventar os modelos de negócios tradicionais à medida que o consumo online se acelera. A última milha, embora seja apenas uma parte da cadeia de suprimentos, é também a mais cara e a mais visível, moldando diretamente a experiência do cliente.
Pesquisas publicadas no International Journal of Scientific Research and Applications mostram que 41% a 53% dos custos logísticos estão concentrados nesta etapa final. Problemas simples – como endereços incorretos ou tentativas de entrega falhas – podem rapidamente multiplicar os custos, criar ineficiências e prejudicar a reputação da marca.
Mas o custo é apenas parte da história. Os consumidores de hoje esperam velocidade, transparência e controle. Eles querem rastreamento em tempo real, janelas de entrega precisas e comunicação proativa. As empresas que não oferecem essas capacidades correm o risco de perder clientes para concorrentes com operações mais inteligentes e conectadas. O last mile não é mais apenas um ponto de verificação de entrega – é a linha de frente da percepção da marca.
Construir uma operação de last mile eficaz requer alinhar pessoas, tecnologia e estratégia. Sistemas inteligentes devem ser combinados com programas piloto locais, refinamento contínuo de algoritmos e investimento em treinamento da força de trabalho. A integração é fundamental: unificar dados de estoque e demanda, adotar modelos de entrega modulares e usar insights impulsionados por IA para prever e otimizar cenários de entrega. O impacto ambiental também deve se tornar uma métrica de desempenho operacional, não apenas uma caixa de conformidade.
O last mile não é o fim da logística – é o começo de uma nova relação com o cliente. Entregar com precisão, responsabilidade e inteligência define a próxima geração de líderes logísticos. Aqueles que entendem essa mudança já estão pavimentando o caminho para as cadeias de suprimentos da próxima década.
* Tiago Dantas, Sales Manager na Infios da América Latina.

