Em um cenário logístico cada vez mais dinâmico, a fronteira entre segurança e produtividade continua sendo testada diariamente. Imagine a seguinte cena: um operador de empilhadeira movimenta pallets enquanto um colaborador atravessa a área do armazém. Surge um risco iminente de colisão em fração de segundos, o operador precisar reduzir a velocidade bruscamente, diminuindo o ritmo da operação. Situações como essa ainda são mais frequentes do que deveriam, e revelam um dilema persistente: como manter a eficiência das operações sem abrir mão da segurança do trabalho?
Durante décadas, segurança e produtividade foram tratadas como objetivos conflitantes. Medidas tradicionais, como redução drástica de velocidade, segregação rígida de rotas e excesso de sinalizações, muitas vezes eram vistas como barreiras à fluidez da operação. Por outro lado, cada acidente gera não apenas impactos humanos irreparáveis, mas também custos financeiros expressivos. Os números reforçam essa realidade. Segundo a OSHA (Occupational Safety and Health Administration), acidentes com empilhadeiras causam cerca de 34.900 ferimentos graves e 85 mortes estimadas por ano apenas nos Estados Unidos.
No Brasil, estima-se que ocorram mais de 15 mil acidentes envolvendo empilhadeiras anualmente (dados da ABRALOG e do Observatório de Segurança e Saúde no Trabalho, 2023). Além das perdas humanas, a Escola Nacional de Administração Pública (ENAP) aponta que os acidentes de trabalho geram mais de R$ 15 bilhões em custos anuais no país, somando despesas diretas e indiretas. Tecnologia como fator de convergência A digitalização das operações logísticas transformou a segurança em uma aliada da performance. Soluções modernas demonstram que é possível unir produtividade e proteção por meio de dados, visibilidade e controle em tempo real, sem comprometer o ritmo da operação. O diferencial está na precisão da tecnologia.
Ao utilizar UWB (Ultra Wideband), por exemplo, sistemas como o Aura conseguem criar zonas de proteção inteligentes com alcance de até 150 metros e precisão centimétrica, superando barreiras físicas como paredes e porta-pallets, algo que tecnologias convencionais não conseguem entregar com confiabilidade. Na prática, isso se traduz em segurança ativa sem interrupções desnecessárias: alertas contextuais são acionados apenas quando há risco real, evitando a “fadiga de alerta” nos operadores e mantendo a fluidez quando o ambiente está seguro. Dos dados à eficiência operacional A grande virada de chave, no entanto, acontece quando a tecnologia de segurança começa a gerar insumos para a produtividade.
O rastreamento preciso de pessoas e máquinas não serve apenas para evitar colisões, mas para gerar uma inteligência operacional inédita. Ferramentas analíticas integradas a esses sistemas, como o Aura Tracking, utilizam Inteligência Artificial para transformar movimentações em mapas de calor e diagramas de espaguete. Isso permite ao gestor visualizar, em tempo real, onde ocorrem os maiores fluxos, deslocamentos excessivos, gargalos ou colaboradores fora de suas áreas de trabalho. O resultado é uma gestão baseada em evidências, não em suposições. É possível redesenhar o layout do armazém, ajustar fluxos de trabalho e identificar desperdícios operacionais com base em padrões reais de comportamento.
Empresas que adotam essa visão integrada, unindo IoT, UWB e IA, relatam resultados consistentes, como redução de até 80% nos quase-acidentes, diminuição entre 50% e 70% nas paradas não planejadas e ganho médio de 25% na produtividade dos operadores. Além disso, garantem maior aderência às normas regulamentadoras (como NR-11 e NR-12), reforçando práticas de ESG. A antiga dicotomia entre segurança e produtividade ficou para trás. A tecnologia hoje prova que um ambiente seguro é, por definição, um ambiente mais produtivo e competitivo.
*Vitor Rocha é especialista em marketing e analista na LogPyx. Sobre a LogPyx A LogPyx é uma startup especializada em soluções tecnológicas para a intralogística industrial. Com sede em Belo Horizonte, desenvolve sistemas que integram automação, rastreabilidade e segurança operacional para pátios, armazéns e áreas produtivas. Suas soluções aumentam a eficiência dos processos, reduzem custos e promovem ambientes mais organizados e seguros para pessoas, veículos e ativos.

