A fraude digital segue pressionando empresas de tecnologia, finanças e e-commerce em escala global. Segundo o Relatório de Fraude de Identidade 2026, que acaba de ser publicado pela Veriff, 4,18% de todas as tentativas de verificação realizadas em 2025 foram fraudulentas, o equivalente a uma em cada 25 interações digitais, mantendo o patamar elevado pelo terceiro ano consecutivo.
O dado ganha relevância em meio à crescente sofisticação dos ataques. Em relação a 2024, o uso de mídias digitais geradas ou manipuladas por inteligência artificial cresceu 300%, indicando que a IA se consolidou como um dos principais catalisadores da fraude online.
Para Andrea Rozenberg, diretora de mercados emergentes da Veriff, a fraude se transformou em um problema estrutural da economia digital. “O avanço da IA reduziu custos, aumentou a escala e permitiu que ataques altamente sofisticados fossem executados com muito mais eficiência”.
Quanto às soluções para evitar esse tipo de crime, ela alerta que uma única ferramenta nunca será o suficiente para combater a ameaça multifacetada de fraudes que existe no mundo digital. “Estamos sempre atentos aos novos comportamentos e usamos inteligência artificial treinada em padrões globais de fraude que analisa comportamento, dispositivo e contexto da sessão para identificar riscos. Casos sensíveis também passam por revisão humana, garantindo precisão, segurança e conformidade regulatória”, explica Andrea.
América Latina acelera e acende alerta
Na América Latina, os dados mostram uma aceleração relevante. Em 2025, as tentativas de fraude no setor de pagamentos cresceram 48%, enquanto as fintechs registraram aumento de 23,4%, refletindo o ritmo acelerado de digitalização financeira.
A falsificação de identidade, prática em que fraudadores se passam por outra pessoa para acessar ou solicitar de forma ilícita contas e serviços digitais, respondeu por 86% dos ataques na região. Passaportes, documentos de residência e identidades nacionais concentram as maiores taxas de fraude, reflexo direto da ampla aceitação desses documentos em processos digitais. Embora essas táticas sejam conhecidas, a inteligência artificial ampliou significativamente o alcance ao viabilizar a automação em escala industrial e acelerar a criação de identidades sintéticas usadas para infiltrar sistemas digitais.
No Brasil, dados do Veriff Fraud Index 2025, pesquisa baseada na experiência de consumidores, reforçam a gravidade do cenário. Cerca de 26% dos brasileiros relataram ter enfrentado fraudes cinco vezes ou mais nos últimos 12 meses, percentual superior ao observado nos Estados Unidos (15%) e no Reino Unido (10%). O impacto financeiro também é expressivo: quase 40% dos entrevistados afirmaram ter sofrido prejuízos acima de US$ 251 (R$ 1,3 mil), enquanto aproximadamente 5% relataram perdas superiores a US$ 5 mil (R$ 26 mil) em um único golpe.
E-commerce e finanças lideram riscos
O estudo aponta os marketplaces online como o segmento mais exposto. Em 2025, sites de e-commerce registraram taxa líquida de fraude de 19,2%, cerca de cinco vezes acima da média global, além de altos níveis de fraude autorizada.
Já o setor financeiro manteve-se entre os principais alvos, com fraude líquida superior a 5,5%, índice 30% acima da média internacional, impulsionado principalmente por ataques baseados em IA e deepfakes.
Segundo a Veriff, o cenário reforça a necessidade de modelos contínuos de verificação de identidade, capazes de combinar automação, inteligência artificial e análise humana para mitigar riscos em um ambiente econômico cada vez mais digital e interconectado.
“Notamos uma tendência nesse sentido em 2023 e em 2024, mas em 2025 o número de ataques de fraudes em sites de e-commerce disparou. Por, em grande parte, não contarem com regulamentação e lidarem com transações globais na casa de trilhões de dólares, esses sites são um alvo tentador para fraudadores”, alerta Andrea.

