A CrowdCare, uma plataforma de financiamento coletivo para despesas médicas, acaba de anunciar o início de suas operações no Brasil. A escolha pelo mercado brasileiro para ampliar os negócios da empresa foi baseada no complexo cenário do acesso aos serviços de saúde no país. A empresa, com sede em Deerfield Beach, na Flórida, opera nos Estados Unidos desde maio de 2025.
O modelo de negócios da CrowdCare é atuar como um crowdfunding tradicional, mas com foco exclusivo no financiamento de despesas médicas em geral, incluindo consultas, exames, cirurgias e demais procedimentos hospitalares e clínicos. Por meio de mensalidades fixas, que começam em R$ 250, os membros da plataforma passam a contar com o fundo para financiar suas despesas médicas, como pacientes particulares.
Nas prática, o foco da CrowdCare é criar uma comunidade de brasileiros unidos em prol de ajudar uns aos outros a financiar suas despesas médicas.
“Embora o Brasil possua um sistema de saúde pública, de caráter universal e financiado por recursos estatais, há importantes entraves que limitam o atendimento à população, como longas filas de esperas, desigualdade de acesso entre regiões, falta de profissionais e limitações para quem depende exclusivamente do SUS”, comenta Lee Cerasani, Fundador e CEO da CrowdCare Américas.
O executivo lembra ainda que a saúde suplementar (planos de saúde) atende apenas 25% da população brasileira, sendo a maioria dos beneficiários aqueles que trabalham no regime CLT.
“Outro entrave é que os planos individuais, especialmente para trabalhadores do mercado informal, têm preços proibitivos e estão cada vez mais escassos”, acrescenta.
“Para além dos valores, os planos de saúde negam procedimentos, descredenciam constantemente médicos, laboratórios e hospitais, além de possuírem burocracias intermináveis para autorizar exames e cirurgias. Ultimamente, outro problema sério é a rescisão unilateral, deixando os usuários sem o plano de forma repentina”, aponta Cerasani.
Diante desse complexo cenário, a CrowdCare pretende aumentar o acesso da população aos serviços de saúde, de uma forma inovadora e visionária.
Sem rede credenciada, sem burocracias e com valores acessíveis
“Há vários diferenciais importantes em nosso modelo de negócio. Para além dos valores acessíveis das mensalidades, o membro pode escolher livremente seus médicos, laboratórios e hospitais, passando nesses serviços, como um paciente particular. Portanto, não existe rede credenciada, nem burocracias, como nos planos de saúde tradicionais”, aponta Cerasani.
Entretanto, para manter a saúde do fundo e garantir que todos os membros tenham suas despesas médicas financiadas, existe o compromisso de membro, no valor fixo, de R$ 250 para todos os serviços médicos, exceto para partos, cujo valor é mais alto. Portanto, não importa o valor da despesa médica, a coparticipação do membro sempre será a mesma.
“Na prática, toda vez que o membro passa numa consulta, faz um exame ou uma cirurgia, ele participa dos custos por meio desse valor fixo. O restante é financiado pela CrowdCare. A principal vantagem desse modelo de coparticipação é que mesmo que o membro tenha uma alta despesa médica, ele sabe que seu compromisso de membro sempre será nesse valor fixo”, conta o executivo.
CrowdCare é um financiamento coletivo para despesas médicas
“Gostaríamos de reforçar que a CrowdCare não é um plano de saúde. Os nossos membros são considerados pacientes particulares. A nossa plataforma elimina as barreiras dos planos de saúde, oferecendo uma maneira transparente, flexível e acessível de obter atendimento médico”, conta Karina Brito, CEO da CrowdCare no Brasil.
Atualmente, a empresa aceita pessoas de 0 a 64 anos. Além dos planos individuais, a plataforma oferece também o plano familiar, para até 4 pessoas. Os valores das mensalidades são:
- Associação individual para pessoas de 0 a 54 anos – R$ 250
- Associação individual para pessoas de 54 a 64 – R$ 410
- Associação familiar para até 4 membros – R$ 550
“Adicionalmente ao financiamento de consultas, exames e cirurgias, a CrowdCare também oferece orientação e consultoria para os membros, especialmente para negociar descontos em procedimentos com valores mais altos, como cirurgias e exames mais complexos. Os membros também podem solicitar financiamento para medicamentos, bem como têm acesso a teleconsultas e psicoterapia online, entre outros serviços de saúde”, diz Karina.
Ao contrário dos planos de saúde, a CrowdCare financia todas as despesas médicas que fazem parte dos serviços elegíveis, conforme descrito no contrato. Quanto aos reajustes das mensalidades e do compromisso de membro, a CrowdCare pretende aplicar os índices normalmente usados no Brasil, como o IPCA ou outros.
“A saúde é o bem mais precioso do ser humano e os entraves para os cuidados médicos no Brasil têm efeitos importantes, como incapacidade para o trabalho, sobrecarga dos custos de afastamento pelo INSS, atrasos no diagnóstico de doenças que ameaçam a vida, perda da produtividade no trabalho, problemas financeiros e prejuízos na qualidade de vida. Portanto, esperamos trazer à população brasileira uma alternativa inovadora para ter acesso aos serviços de saúde, baseada no poder da comunidade e no uso consciente do financiamento coletivo”, finaliza Cerasani.

