O crescimento do comércio dentro das redes sociais abriu novas oportunidades para consumidores e influenciadores, mas também criou um terreno fértil para golpes cada vez mais sofisticados. Desde maio, com o lançamento do TikTok Shop no Brasil, anúncios falsos, links disfarçados e páginas clonadas passaram a se tornar ameaças recorrentes para quem compra ou vende produtos pela plataforma. O problema, no entanto, não se restringe à empresa chinesa: Facebook, Instagram e, mais recentemente, o YouTube, com o Programa de Afiliados do YouTube Shopping, ampliaram suas funcionalidades de e-commerce, expondo milhões de usuários a potenciais fraudes.
A convergência entre entretenimento e comércio digital, conhecida como social commerce, atrai consumidores pelo imediatismo e pela praticidade — produtos indicados por influenciadores podem ser comprados sem que o usuário precise sair do aplicativo. Essa facilidade, porém, também é explorada por criminosos, que criam anúncios falsos de itens em alta, explorando a urgência e o medo de ficar de fora (FOMO). O objetivo é redirecionar usuários a sites fraudulentos que imitam a interface do TikTok Shop. Nessas páginas, avaliações e perfis falsos reforçam a aparência de legitimidade, enquanto dados pessoais e informações financeiras são capturados de forma indevida.
O risco se concentra especialmente na etapa de pagamento, quando links patrocinados podem conduzir consumidores a plataformas falsas. As fraudes variam desde produtos que nunca são entregues até o roubo de dados sensíveis, tornando o ambiente digital mais complexo e exigindo cautela redobrada. O cenário evidencia como a expansão do social commerce, embora impulsione a economia digital, também amplia vulnerabilidades do consumidor e reforça a necessidade de educação tecnológica.
Hygor Roque, Head of Revenue da Divibank, destaca que a prevenção começa com atenção a sinais aparentemente simples. “É fundamental verificar o selo de autenticidade do vendedor, checar o histórico e o tempo de atividade da loja, confirmar informações de contato e desconfiar de preços muito abaixo do mercado. Além disso, influenciadores e criadores de conteúdo têm um papel estratégico, pois podem denunciar o uso indevido de sua imagem ou de marcas, ajudando a reduzir a circulação de fraudes”, afirma.
O cenário também revela uma nova fronteira da governança digital. À medida que redes sociais ampliam suas funções comerciais, cresce a responsabilidade compartilhada entre plataformas, criadores de conteúdo e consumidores. Para o usuário final, navegar com segurança exige não apenas atenção aos sinais de alerta, mas a compreensão de que o ambiente de compra online — mesmo dentro de aplicativos populares — não está imune a práticas criminosas.
O fenômeno reforça uma tendência mais ampla: enquanto o social commerce promete transformar a experiência de consumo, ele também demanda novos protocolos de segurança, fiscalização e educação digital para que a conveniência não se converta em vulnerabilidade.

