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2025 foi um ano de pressão e tratamentos de choque contra fraudes, mas 2026 promete um ajuste de rota

2025 foi um ano duro para quem atua no combate a fraudes, não porque tenha algum tema recente, mas porque os fraudadores evoluíram muito rápido e as estruturas de prevenção são compostas de muitas partes, não é fácil estar na linha de defesa. Ao contrário disso, os fraudadores não possuem exigências ou certificações para atuar.

Em um cenário mercadológico cada vez mais marcado por jornadas fragmentadas, integrações complexas que unem o legado e o novo ao mesmo tempo, com pouca visibilidade ponta a ponta e que tornam as brechas mais largas. Quando isso acontece, o impacto não é apenas financeiro, mas diminui a confiança, desgasta relações e desvia energia que deveria estar dedicada à inovação e expansão.

Foi de fato um ano marcado por engenharias sociais nas fraudes, panelas de pressão corporativas e a necessidade de tratamentos de choque. O primeiro choque de 2025 talvez tenha sido perceber que a fraude não se limitou a desvios pontuais, o crime se industrializou e o mercado enfrentou modelos organizados de simulação de identidade, manipulação de saldo, adulteração de comprovantes, criação de estabelecimentos laranja e uso massivo de inteligência artificial generativa para burlar verificações visuais. A automação que deveria proteger também foi usada contra o sistema.

Além disso, outro choque é o de pressão por digitalização acelerada e muitas vezes desordenada que abre brechas importantes, onde as soluções criadas para escalar rápido ignoraram etapas fundamentais de segurança, especialmente nos fluxos de onboarding, validações documentais e monitoramento contínuo. O resultado foi um campo fértil para ataques sofisticados.

Quando uma fraude acontece, afeta o colaborador que perde um benefício, o pequeno estabelecimento que tem o recebimento bloqueado, o gestor que precisa justificar perdas e a equipe que lida com retrabalhos, sem contar as perdas financeiras, todos impactados por um sistema em que deveriam confiar. No fim, fraude é sobre a segurança de quem depende desses recursos no dia a dia, e foi justamente esse componente humano que tornou 2025 tão desafiador, ampliando a sensação de vulnerabilidade entre usuários, gestores e operadores.

O que esperar de 2026 e por que há motivos reais para um certo otimismo

Apesar dos desafios, 2026 tende a ser o ano de virada, porque finalmente o setor entendeu que não há alternativa a não ser mudar profundamente a arquitetura de prevenção, bem como alianças entre as áreas de antifraude (mesmo sendo de players concorrentes). O movimento que começa a se consolidar envolve três pilares:

– Prevenção preditiva, não reativa: O setor está migrando para modelos de análise comportamental contínua e detecção de anomalias em tempo real (ou em tempo de transação). A tendência é que decisões de risco ocorram em milissegundos e isso passa por ter uma arquitetura revisada, robusta e em trilhos corretos. Essa transição de postura é o ponto central da maturidade que o setor deve alcançar em 2026.

– Orquestração unificada de dados: A fragmentação será substituída por plataformas que conectam identidade, uso, transações, geolocalização, perfis e histórico de relacionamentos. A visão unificada permitirá detectar padrões que antes passavam despercebidos. Onde a palavra-chave é: interoperabilidade.

– Experiência segura sem atrito: A grande conquista de 2026 será equilibrar rigor e fluidez, tornando algumas verificações invisíveis. Autenticações contínuas, documentação validada de forma inteligente e monitoramento sem interferir na jornada do usuário, tende a virar regra e não a exceção.

A fraude seguirá evoluindo, infelizmente, mas 2026 tende a ser um ano de reconstrução silenciosa, porém profunda, para equipes de defesa. Priorizando revisões de arquiteturas, um maior refinamento de fornecedores e empresas que possam se encaixar melhor nesses fluxos mais inovadores, e principalmente uma constante busca em criar experiências financeiras mais humanas, simples, educativas e seguras.

Luanna Vargas é especialista em inteligência de pagamentos, com mais de 19 anos de experiência nas áreas de analytics, ciência de dados, prevenção a fraudes e inteligência artificial. Formada em Matemática e Ciência da Computação pela USP, com mestrado em Economia pela UFSCar, ela atuou em empresas como Visa e Will Bank, além de ter sido empreendedora selecionada pela Antler. Atualmente é cofundadora da HeronPay.

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