O número de brasileiros com planos de saúde chegou a 52,8 milhões em 2025. No mesmo período, o setor movimentou R$ 190 bilhões apenas no 1º semestre, consolidando o Brasil como o maior mercado de saúde privada da América Latina. Mesmo diante de juros altos, a demanda por planos se manteve em expansão, reforçando o peso do setor na economia de serviços. O resultado é um ambiente maduro, onde empresas de tecnologia e gestão ganham espaço para estruturar modelos escaláveis, financeiramente consistentes e alinhados às exigências regulatórias. Nesse contexto, a Click Planos projeta atingir valuation de R$ 600 milhões até 2030 e avalia abrir IPO. O movimento reflete uma nova etapa de profissionalização e governança, com tecnologia e transparência no centro das decisões de investimento e expansão do setor.
A perspectiva é sustentada pelo avanço da digitalização e pelo amadurecimento do consumidor, que busca clareza, autonomia e previsibilidade nos custos com saúde. O modelo conecta diretamente operadoras e usuários, permitindo comparar coberturas, valores e redes credenciadas em tempo real, sem intermediários presenciais. Essa estrutura reduz custos operacionais e amplia o acesso, atendendo a uma demanda reprimida por conveniência. Para Gustavo Succi, CEO da Click Planos, o movimento reflete uma transformação que vai além da tecnologia. “A saúde privada no Brasil sempre foi robusta, mas ainda operava com mecanismos analógicos. O uso de tecnologia e dados permite prever riscos, reduzir ineficiências e aumentar a transparência. Isso cria as condições para um setor mais competitivo e sustentável”, afirma.
A intermediação tradicional, baseada em múltiplas etapas e pouca integração de dados, tem dado lugar a soluções digitais que permitem decisões mais racionais e rápidas. Para Succi, o mercado caminha para uma nova fase. “O consumidor quer autonomia, e o setor precisa de previsibilidade. Quando as duas pontas se encontram, o sistema ganha eficiência. É isso que a digitalização proporciona: equilíbrio entre custo, regulação e acesso”, explica. A transformação digital vem sendo acompanhada de práticas de governança mais rigorosas e de maior profissionalização na gestão. Nesse contexto, o IPO projetado até 2030 não é apenas um marco financeiro para a Click Planos, mas um sinal de amadurecimento de um setor que passa a operar sob lógicas semelhantes às do sistema financeiro e do mercado educacional. “Hoje há espaço para modelos sustentáveis, com tecnologia validada e estrutura regulatória consistente. A abertura de capital é consequência de um setor que está pronto para competir com transparência e escala”, afirma o Succi.
A trajetória da Click Planos resume a transição que deve marcar o próximo ciclo da saúde privada no Brasil, baseada em dados, eficiência e governança. A digitalização deixou de ser tendência e passou a integrar a infraestrutura central do sistema, conectando operadoras, consumidores e prestadores de forma integrada. O desafio, agora, é transformar essa modernização em benefícios reais: reduzir custos operacionais, ampliar o alcance e tornar o acesso mais previsível para famílias e empresas. O uso de tecnologia permite maior transparência nas contratações e controle mais rigoroso sobre custos, o que fortalece a sustentabilidade do setor. Esse avanço também ajuda operadoras a planejar com precisão, reduzindo riscos e otimizando recursos. A digitalização, quando aliada à governança e à regulação estável, cria um ciclo virtuoso de eficiência e competitividade. Esse modelo pode servir de base para uma saúde suplementar mais equilibrada, em que inovação e responsabilidade financeira andam lado a lado, garantindo crescimento sustentável para o sistema.

