A expansão recente dos investimentos em tecnologia no Brasil tem deslocado o interesse de fundos para verticais antes pouco atendidas pelo ecossistema. Levantamento da Distrito mostra que, somente em 2024, soluções voltadas ao varejo, indústria, alimentação e mercado pet movimentaram mais de R$ 3,8 bilhões em aportes. Esse salto impulsionou a Start Growth, gestora fundada em 2014, a ampliar oficialmente sua tese para quatro novos segmentos: Retail Tech, IndTech, FoodTech e PetTech. A mudança atende à demanda de startups que já validaram seus produtos e agora buscam capital e apoio operacional para escalar.
Segundo Marilucia Silva Pertile, cofundadora da Start Growth e mentora de startups, a decisão vem após observar o crescimento acelerado desses setores em métricas de digitalização, demanda por eficiência e expansão de consumo. “Essas verticais evoluíram muito rápido e hoje representam oportunidades robustas para negócios altamente escaláveis. Nosso interesse é apoiar fundadores que já provaram a dor que resolvem e precisam estrutura para ganhar tração”, afirma.
Os números reforçam o movimento. No varejo, o comércio digital brasileiro deve ultrapassar R$226 bilhões em vendas em 2025, segundo dados da ABComm. No setor industrial, o relatório Global Smart Industry Survey aponta que 74% das empresas planejam ampliar investimentos em automação e análise de dados. A área de alimentação segue em expansão contínua: estudo da Euromonitor projeta que o mercado global de FoodTech deve crescer mais de 42% até 2027, impulsionado por segurança alimentar, logística e soluções inteligentes. Já o mercado pet brasileiro, o segundo maior do mundo de acordo com o IPB, bateu R$76 bilhões em faturamento anual, com forte procura por serviços digitais e gestão de saúde animal.
Com a ampliação da tese, a Start Growth passa a buscar startups que atuam diretamente nesses setores com modelos SaaS, uso intensivo de dados, automação e foco em eficiência operacional. Marilucia destaca que o objetivo não é apenas acompanhar tendências, mas apoiar segmentos em que a tecnologia é fator crítico para expansão. “O que nos move é a maturidade do mercado. Cada uma dessas verticais apresenta dores muito claras, prontas para serem resolvidas com tecnologia. Quando existe problema real, existe espaço para escala”, explica.
Na nova fase, a gestora avaliará soluções que contemplem desde plataformas de omnicanalidade e logística para varejo até sistemas de predição industrial, marketplaces de alimentos, tecnologias para rastreabilidade, nutrição e saúde pet, além de ferramentas de gestão especializada. A executiva reforça que, independentemente do setor, três critérios permanecem inegociáveis: tração validada, clareza no modelo de monetização e capacidade de execução dos fundadores. “Startups que não dominam seus indicadores, como CAC, LTV e churn, dificilmente conseguem escalar. Nosso papel é entrar quando há potencial concreto e ajudar a estruturar a próxima etapa”, diz.
A tese ampliada será incorporada aos próximos batches de investimento da Start Growth, que mantém ritmo acelerado de seleção. A gestora utiliza o Start Growth Method, estrutura que combina capital, operação e inteligência de mercado para acelerar negócios em até dois anos e prepará-los para novas rodadas. “O mercado está mais seletivo, mas as oportunidades estão aí para quem resolve dores reais. Esses quatro setores reúnem demandas urgentes e espaço de crescimento. Nossa expansão acompanha essa realidade”, conclui Marilucia.

