Se os últimos anos foram marcados pela corrida desenfreada pela adoção da Inteligência Artificial, 2026 promete ser o ano do ajuste fino e do equilíbrio. É o que aponta o novo relatório de previsões da Pipedrive, unicórnio global de CRM. Segundo os executivos da companhia, a próxima fase da transformação digital não será sobre substituir pessoas, mas sobre redefinir os conceitos de produtividade, liderança e engajamento.
A principal mudança cultural prevista é o fim da métrica de “horas trabalhadas” como sinônimo de eficiência. Em um cenário onde a IA assume tarefas operacionais, o valor do profissional passa a ser medido pelo impacto gerado e pela autonomia.
O Modelo Híbrido Vence
Tanya Channing, COO da Pipedrive, destaca que o sucesso corporativo em 2026 dependerá da capacidade de harmonizar suporte tecnológico com influência humana.
“Encontrar o equilíbrio entre IA e influência humana será de grande importância. Equipes que combinam modelos híbridos com uso significativo de IA tiveram recuperação mais forte e ganhos de performance”, afirma a executiva.
Curiosamente, dados da empresa mostram uma cautela no mercado: 47% dos usuários atuais de IA não planejam ampliar sua adoção imediatamente. Isso sugere que o foco agora é extrair valor real do que já foi implementado, em vez de apenas acumular ferramentas.
Marketing: Qualidade acima do volume
No marketing, a previsão é de um retorno aos fundamentos. Com a facilidade de gerar conteúdo via IA, a internet foi inundada por volume. O diferencial em 2026, segundo Steven Quach (CMO), será a qualidade extrema e a precisão.
- Adoção massiva: Três em cada quatro (75%) gestores de marketing já utilizam IA.
- O novo papel: A IA cuida do repetitivo e da análise de dados, enquanto humanos focam na estratégia emocional e criativa.
- Diferencial: Vencerão as marcas que usarem ferramentas para afunilar o foco, garantindo que a mensagem certa chegue ao público certo, em vez de tentar estar em todo lugar ao mesmo tempo.
Vendas e TI: O “Porquê” define o sucesso
Para a área técnica e de vendas, a palavra de ordem é “co-pilotagem”. Agur Jõgi, CTO da empresa, alerta que a competição não será mais sobre quem tem mais agentes de IA, mas sobre quem os implanta pelos motivos certos.
Em vendas, isso se traduz em sistemas que realizam follow-ups personalizados e pontuação de leads (lead scoring) sem intervenção manual, liberando o vendedor para o relacionamento.
Já Sean Evers, VP de Vendas, projeta uma simplificação das ferramentas. A tendência é o abandono de softwares complexos em favor de ecossistemas integrados e inteligentes.
“Os dados deixaram de ser apenas ‘bom ter’ e passaram a ser críticos para a missão. Tanto vendedores quanto líderes precisam se tornar fluentes em dados”, explica Evers, que também antecipa o possível surgimento de uma “mega ferramenta” de Go-To-Market que consolide soluções hoje fragmentadas.
O alerta final dos executivos é sobre a Experiência do Cliente (CX). A automação reduz custos, mas se não for bem gerenciada, pode frustrar o consumidor. A estratégia vencedora para 2026 será usar a tecnologia para eliminar burocracia, permitindo que a inteligência humana brilhe na conexão com o cliente.

