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Menos hype, mais método: o que vai orientar as decisões de negócio no Brasil na próxima década

A próxima década dos negócios no Brasil será marcada menos por novos avanços tecnológicos e mais por uma mudança profunda na forma como empresas e lideranças tomam decisões. Essa é a avaliação de Fabio Gandour, PhD em ciência da computação, com 28 anos de IBM, que hoje se aproxima de empresas brasileiras com maior maturidade analítica, como a DataCrazy.

“O Brasil é campeão mundial de achismo, e isso não é mais compatível com o próximo ciclo da tecnologia”, afirma Gandour. Segundo ele, o país entra em uma fase em que decisões baseadas em intuição tendem a perder espaço para modelos sustentados por dados, modelos matemáticos e inteligência artificial aplicada ao contexto real dos negócios.

Para Gandour, a inteligência artificial deixará de ser percebida como algo extraordinário e passará a operar de forma cada vez mais integrada, quase invisível, ao cotidiano das empresas. “A IA tende até a mudar de nome. Ela vai se tornar tão presente no processo decisório que a origem, se é artificial ou não, deixará de importar. O foco será se ela está sendo bem utilizada”, explica.

Tecnologia sem método amplia riscos

Apesar do avanço acelerado da IA, Gandour faz um alerta: a adoção indiscriminada de tecnologia pode aprofundar desigualdades entre empresas que pensam com método e aquelas que terceirizam completamente o pensamento às máquinas. “Sair na frente não significa adotar tecnologia mais rápido, mas usar com critério. O FOMO tecnológico costuma gerar mais ruído do que resultado”, comenta. Nesse cenário, segundo o cientista, método, validação e clareza de raciocínio continuam sendo diferenciais competitivos, mesmo em um ambiente altamente automatizado.

Engenharia de prompt vira competência estratégica

Um dos pontos mais subestimados no debate atual sobre inteligência artificial, de acordo com Gandour, é a engenharia de prompt, que é a capacidade de formular boas perguntas para extrair respostas confiáveis dos sistemas de IA.

“Prompt é, essencialmente, uma pergunta. E a forma como essa pergunta é feita muda completamente a resposta”, fala Gandour. Para ele, não existe pergunta perfeita, mas existem perguntas mal formuladas, que aumentam significativamente o risco de decisões equivocadas. “Saber perguntar bem virou uma competência central nas organizações”, diz.

Dados de CRM dão contexto à inteligência

A qualidade das perguntas está diretamente ligada à qualidade dos dados. Gandour destaca o papel do CRM (Customer Relationship Management) nesse processo. “Clientes não são iguais, são diferentes. Quando você faz perguntas genéricas a partir de dados genéricos, a resposta tende a ser genérica”, destaca.

Segundo ele, o valor do CRM surge quando os dados deixam de servir apenas para relatórios e passam a alimentar decisões contextualizadas. Inteligência de verdade aparece quando boas perguntas são feitas sobre dados que representam clientes reais e distintos.

Empresas brasileiras já operam nesse novo modelo

Esse nível de maturidade ajuda a explicar a aproximação de Gandour com empresas que já operam com essa lógica, como a DataCrazy, startup brasileira de Balneário Camboriú que integra dados, CRM, automação e inteligência artificial para apoiar decisões de negócio.

“A inovação hoje não depende apenas de tecnologia, mas de método e responsabilidade na aplicação da IA”, afirma o fundador e CEO da DataCrazy, Andreone Ribeiro. “Nosso foco sempre foi usar dados e inteligência artificial para ajudar empresas a decidir melhor, e não apenas para seguir tendências”, complementa.

A aproximação entre Fabio Gandour e a DataCrazy reflete uma convergência de visão sobre o futuro da inteligência artificial no Brasil e as perspectivas para a próxima década. As partes preparam uma colaboração estratégica, que deve ganhar forma ao longo de 2026, envolvendo debates sobre uso responsável da IA, decisões orientadas por dados e os impactos de longo prazo da tecnologia no ambiente de negócios.

“Mais do que soluções pontuais, o que está em jogo é a forma como o Brasil vai pensar a tecnologia nos próximos anos”, finaliza Gandour.

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