Comprar moda pela internet é, há décadas, uma aposta na intuição. Apesar dos avanços em fotos, vídeos e ferramentas de IA que simulam o caimento das peças, o setor, que movimentou mais de R$ 40 bilhões no Brasil em 2024 e cresce mais de 20% ao ano, segundo dados da eBit/Nielsen, ainda amarga índices de devolução que atingem 35%, principalmente pela frustração de receber algo diferente do esperado, seja no tamanho, caimento ou percepção do produto.
Esse desafio, que gera outros bilhões de reais com abandono de compras por insegurança, motivou o nascimento da TRY, startup criada para romper esse ciclo com uma solução que elimina as incertezas das compras digitais.
Com um modelo inédito, o marketplace permite que o consumidor receba em casa as peças desejadas, experimente livremente por 48 horas e só pague pelo que decidir ficar. O restante é recolhido no mesmo endereço, sem custo adicional. O sistema elimina a fricção entre o desejo e a decisão, resgatando um elemento essencial ao consumo de moda: a experiência.
A plataforma reúne uma curadoria de lojas que transita entre o autoral e o consagrado: nomes como Gloria Coelho, Sarah Chofakian, Sophia Hegg, Zeferino, Neriage, Wasabi e Amapô já estão entre os parceiros. Os produtos mantêm os mesmos preços praticados pelas lojas em seus canais próprios de venda, reforçando a transparência da proposta.
O sistema conta com duas modalidades de entrega: local, com entrega em até 3 horas quando o cliente está dentro de um raio específico da loja escolhida, e padrão, com prazo tradicional de envio. Em ambas as modalidades, o frete será gratuito no lançamento da plataforma.
A TRY amplia o acesso dos consumidores a marcas que antes eram inacessíveis e redefine o padrão de conveniência no e-commerce de moda. Agora, qualquer pessoa pode ter acesso a essa experiência sem precisar de histórico prévio com as lojas ou marcas parceiras.
Uma parte significativa das marcas de moda já oferece esse tipo de serviço, mas de forma amadora e restrita a clientes com quem já têm relacionamento, o que reforça o quanto ele é desejado e necessário. A diferença é que, com a TRY, o modelo ganha escala e se torna digital: os parceiros oferecem a experiência de experimentação para uma base de usuários cada vez maior. Além disso, a plataforma cuida de todo o processo — da logística ao pagamento — e se responsabiliza pelos produtos enquanto estão em trânsito, garantindo total segurança.
O modelo também permite que os parceiros repensem seus investimentos em lojas físicas, ao levar a experiência do provador diretamente para a casa do consumidor.
Em breve, a TRY ampliará seu impacto ao impulsionar o universo da moda circular, que cresce três vezes mais rápido que o mercado tradicional, segundo relatório da BCG. Ao permitir que o consumidor experimente antes de comprar, a plataforma elimina uma das principais barreiras desse segmento: a incerteza quanto ao caimento e ao real estado de conservação de peças únicas.
Dados preliminares indicam que o serviço tem potencial de reduzir as devoluções em até 80%, aumentar o ticket médio em cerca de 30% e dobrar a recompra, alcançando uma taxa de conversão até cinco vezes superior à média do e-commerce tradicional.
“A TRY quebra o paradoxo do e-commerce de moda: criamos o primeiro marketplace com infraestrutura digital que proporciona a experiência real da experimentação. A plataforma elimina a insegurança do consumidor e escala as vendas dos parceiros com total segurança”, afirma Roberto Djian, fundador e CEO da TRY.
A empresa realizou uma rodada pré-seed e avalia um novo aporte para impulsionar o próximo ciclo de crescimento, acompanhando a expansão do marketplace e o avanço das novas frentes de negócio. Os participantes e valores não foram divulgados.
Mais do que um marketplace, a TRY representa a nova base tecnológica para o varejo de moda digital, abrindo um novo canal de vendas para marcas, fabricantes, lojas, e-commerces e outras operações do segmento. A plataforma é impulsionada por inteligência artificial aplicada a múltiplas frentes do negócio, elevando o nível de eficiência, personalização e integração de todo o ecossistema.
Com lançamento previsto para novembro, em versão beta, o site da TRY estará disponível em usetry.com.br, seguido pelo aplicativo. As operações terão início pelas regiões Sul e Sudeste, com expansão em breve para outras regiões.
A TRY nasce com a ambição de redefinir o futuro da moda online, unindo tecnologia, sustentabilidade operacional e experiência humana em um mesmo ecossistema. A iniciativa pode reposicionar o Brasil na vanguarda da inovação em e-commerce no principal segmento de bens de consumo do mundo.

