Segundo pesquisa divulgada pela consultoria Gartner, os orçamentos de TI geridos pelos CISOs (Chief Information Security Officer) brasileiros devem crescer pelo menos 6,61% em 2025. De acordo com a Gartner, as duas áreas prioritárias para investimentos são inteligência artificial e cibersegurança. Enquanto a primeira é apontada como a tecnologia disruptiva do momento, a segunda se justifica pelo aumento considerável de tentativas de ataques.
De acordo com a Check Point Research, os crimes cibernéticos com empresas como alvo cresceram 751% no terceiro trimestre de 2024 em comparação com o mesmo período do ano anterior. No Brasil, o aumento foi ainda maior, com 951% mais ataques.
Apesar do crescimento significativo, a injeção financeira sozinha pode não garantir o sucesso esperado. Na visão de Denis Riviello, diretor de cibersegurança da... CG OnePara uma empresa de tecnologia focada em segurança da informação, proteção de redes e gerenciamento integrado de riscos, o planejamento prévio da alocação de recursos financeiros é essencial para otimizar seu uso. “Os investimentos devem sempre levar em conta uma análise de risco aprofundada, considerar tendências emergentes e priorizar a conformidade e o custo-benefício em relação aos regulamentos de segurança”, explica.
Ainda segundo o especialista, as prioridades dos CISOs para 2025 devem incluir tecnologias avançadas de segurança, como firewalls, sistemas de gerenciamento de informações e eventos de segurança (SIEM), e soluções de acesso à rede zero trust (ZTNA). Outro foco central será a automação por meio do uso da inteligência artificial, garantindo respostas mais ágeis e precisas a incidentes. “A adoção da IA como ferramenta de suporte deve ser prioridade para o próximo ano”, destaca.
Além das soluções em si, a conscientização e a capacitação dos colaboradores continuarão sendo pontos fundamentais para a segurança corporativa. De acordo com o executivo da CG One, programas de educação em cibersegurança, treinamento contínuo e campanhas de conscientização devem receber atenção especial no contexto atual. “A chegada de novas tecnologias, como a própria IA, exige um maior esforço de compreensão por parte da equipe. Afinal, a tecnologia só é eficiente quando os colaboradores sabem utilizá-la”, adiciona.
Fatores de risco
Apesar da importância do planejamento prévio aos investimentos, Riviello destaca que algumas práticas podem comprometer todo o esforço da empresa. Entre as falhas mais comuns estão o desalinhamento entre investimentos e objetivos de negócio, a subestimação dos custos operacionais e de manutenção das soluções, a ausência de aprendizado com erros anteriores e, principalmente, o subinvestimento em equipe e processos.
Como consequência dessa organização falha, o especialista alerta para a ineficiência dos métodos e equipamentos de proteção, o risco reputacional da marca e a dificuldade em cumprir os requisitos regulatórios. “O orçamento de cibersegurança deve ter foco estratégico, com prioridades bem definidas para garantir que a organização esteja preparada para enfrentar as ameaças emergentes”, conclui Riviello.

