Você sabia que um lápis pode escrever uma linha reta de até 56 km? Que os tubarões entram em coma se ficarem de cabeça para baixo? Que “anatidaefobia” é o medo de que um pato esteja observando você? Curioso? Pois aqui vai mais um dado surpreendente: com uma gestão inteligente do Ads Share, é possível impulsionar significativamente a participação de mercado da sua marca.
De forma simples, o Ads Share representa a participação das ofertas promocionais de uma marca no total de anúncios de uma categoria. Por exemplo: se a marca A tem 51% de Ads Share na categoria de iogurtes em um determinado período e região, significa que 51% de todos os anúncios veiculados nessa categoria foram da marca A.
Qual a relação entre o *market share* (participação de mercado) e o *share of voice* (participação na mídia, ou, no contexto de anúncios, Ads Share)? Vários fatores explicam as variações do *market share*, e uma das principais alavancas é o volume de investimento em promoções. Isso é particularmente relevante no mercado de bens de consumo de alta rotatividade (FMCG), como alimentos, bebidas, produtos de higiene, beleza e limpeza.
Nesse segmento, em média, de 30% a 35% do que se vende no varejo (supermercados, hipermercados e atacarejos) são através de ofertas. Ou seja, praticamente 1/3 do que se vende nesses canais são produtos promocionados. Em algumas cadeias esse percentual pode chegar a 50% e 60%! São números incrivelmente relevantes.
É sabido que ofertas eficientes geram maior fluxo de clientes na loja, além de impulsionarem as vendas adicionais de outras categorias. É a chamada “elasticidade cruzada”, onde a quantidade demandada de um item/categoria reage a uma variação de preço de outro item/categoria.
Do ponto de vista do varejo, o ganho é óbvio. Já do ponto de vista do fabricante, isso pode gerar um impacto positivo, especialmente para aqueles que têm multicategorias em seu portfólio.
Normalmente, a negociação entre varejo e fornecedor em questões promocionais acontece categoria a categoria (e seus respectivos SKUs). Mas e se analisarmos a inter-relação entre as categorias que aquele fabricante atua?
Com as informações corretas, é possível promover uma determinada categoria, relacionando-a com outra do seu portfólio. Nesse caso, não seria necessário sacrificar a margem de ambas, pois, muito provavelmente, quando um comprador adquire a categoria A, também adquire a categoria B.
Então, por que baixar o preço de ambas? Bom, mas daí você pode perguntar: “quem garante que o shopper não vai levar a categoria B do meu concorrente e eu vendo apenas o que promovi?”.
Aqui vai outro conceito: “Toda promoção é uma oferta, mas nem toda oferta precisa ser uma promoção”. Mas como assim? Uma oferta não precisa necessariamente entregar uma vantagem de preço ou quantidade (já a promoção, sim). Ela precisa, sim, ser comunicada de forma eficaz.
Uma das ferramentas é usar de forma inteligente as mecânicas promocionais. Se eu comprar apenas o item A, o preço é, digamos, R$ 10. Se eu comprar também o item B, o preço do item A cai para R$ 6. O item B mantém o preço regular (mas não pode ser muito mais caro que a média). Obviamente, ambos os itens são do mesmo fabricante. Pois já é sabido que existe uma forte elasticidade cruzada entre os itens A e B.
Com isso, esse fabricante impulsiona a venda de dois itens, aumentando sua participação de mercado e protegendo sua margem de lucro (tanto para o fabricante quanto para o varejista). Tudo isso é possível graças à colaboração entre varejo e indústria e ao uso intensivo de dados.
Dados internos dos varejistas (por meio de seus CRMs, por exemplo), para entender a elasticidade cruzada; dados de preços de mercado (já que o preço promocional do varejista parceiro não pode ser superior ao dos concorrentes diretos); informações meteorológicas (se o seu produto é afetado por variáveis de tempo/temperatura); definição clara e conhecimento do público-alvo para ajustar a linguagem e o meio a serem usados na divulgação da oferta/promoção; entre outras informações, são essenciais.
Como dizia Peter Drucker: O que não é medido, não pode ser gerenciado.O Ads Share, portanto, torna-se um indicador estratégico de performance promocional. Ele ajuda marcas a entenderem sua exposição relativa e a ajustarem ações para ganhar espaço frente aos concorrentes.
No final, a promoção não é apenas um gatilho de vendas — é uma ferramenta de construção de marca e conquista de market share, quando bem planejada, executada com inteligência e monitorada com rigor.

