Com base em pesquisa global da KPMG em 47 países, com 48 mil pessoas economicamente ativas, especialistas em Inteligência Artificial analisam por que empresas passam a separar iniciativas que geram valor das que apenas escalam custos. Para as estrategistas Aline Lefol e Tiene Colins, coautoras do livro “IA para Negócios – Guia prático para pequenas e médias empresas”, esse descompasso ajuda a explicar por que parte dos projetos de IA não entrega o retorno financeiro prometido e, em alguns casos, passa a representar aumento de custo operacional.
A pesquisa mostra que a IA já é amplamente utilizada no trabalho, muitas vezes sem preparo adequado ou avaliação crítica dos resultados. Do ponto de vista econômico, essa lacuna entre adoção e letramento dificulta a captura efetiva de ganhos de produtividade e aumenta o risco de investimentos com retorno abaixo do esperado, especialmente em projetos vendidos internamente como grandes alavancas de eficiência.
Na análise de Aline Lefol, CEO e fundadora da IA2YOU, empresa especializada em Inteligência Artificial aplicada a negócios, o problema não está na tecnologia, e sim na forma como ela é aplicada. Segundo a executiva, iniciativas que começam pela ferramenta, e não por um problema claro de negócio, tendem a gerar ganhos marginais ou retrabalho. “IA só cria valor quando está conectada a objetivos mensuráveis, como redução de custo, tempo ou falhas em processos específicos. Sem isso, o projeto corre o risco de escalar despesa mais rápido do que resultado”, avalia.
O levantamento da KPMG também aponta desafios relacionados à confiança e à governança no uso da tecnologia, fatores que contribuem para uma postura mais cautelosa das empresas. Após um período de forte entusiasmo, cresce no mercado a percepção de que nem toda aplicação de IA justifica o investimento, especialmente em um cenário de pressão por eficiência e controle orçamentário.
Para Tiene Colins, estrategista e consultora de IA, o momento reflete uma transição importante na maturidade da adoção. “A ideia de que a IA serve para qualquer problema começa a ser substituída por uma visão mais pragmática. Quando não há dados estruturados, integração com sistemas como CRM e ERP ou regras claras de operação, a tecnologia tende a amplificar ineficiências existentes”, afirma.
Entre os padrões de falha mais recorrentes observados em diferentes setores estão a automação de processos ainda instáveis, a ausência de governança clara, expectativas irreais de substituição do julgamento humano e a falta de métricas objetivas para acompanhar resultados. Nesses casos, a IA pode aumentar escaladas para atendimento humano e custos operacionais, em vez de reduzir gargalos.
As estrategistas alertam ainda que nem todo processo digitalizável deveria ser automatizado. Atividades com alto risco regulatório ou financeiro, forte dependência de empatia ou ausência de padrões bem definidos exigem validação humana ou maior controle para evitar prejuízos.
Essa abordagem prática e orientada a resultados é aprofundada no livro IA para Negócios – Guia prático para pequenas e médias empresas, de autoria das estrategistas. A obra propõe critérios objetivos para ajudar líderes a identificar quais processos realmente justificam o uso de Inteligência Artificial e como evitar projetos que consomem orçamento sem gerar impacto mensurável. Em um mercado cada vez mais pressionado por eficiência, o diferencial competitivo passa menos por adotar IA indiscriminadamente e mais por utilizá-la com critério, governança e foco em retorno real.
Sobre o livro “IA para Negócios – Guia Prático”
“IA para Negócios – Guia Prático” é o primeiro manual voltado às pequenas e médias empresas que desejam transformar resultados com Inteligência Artificial de forma acessível e realista. Escrito por Aline Lefol e Tiene Colins, que orientam empreendedores e gestores na aplicação prática da tecnologia em diferentes setores, o livro apresenta ferramentas simples, casos reais e um passo a passo estratégico para implementar soluções sem necessidade de conhecimento técnico. Com linguagem clara e foco prático, a obra mostra como a IA já está ao alcance de qualquer empreendedor e oferece ainda o suporte da Lia, assistente virtual exclusiva que acompanha a jornada do leitor em tempo real.

