Uma das maiores plataformas educacionais do Brasil faturou R$ 15 milhões em apenas 48 horas após lançar um produto premium desenvolvido com inteligência artificial e ferramentas no-code. A iniciativa foi da Qconcursos, empresa com 15 anos de atuação, cerca de 300 colaboradores e mais de meio milhão de estudantes ativos, que concebeu e colocou no ar o novo plano Elite em apenas duas semanas, utilizando IA generativa, a ferramenta Lovable, integração com Supabase e a abordagem conhecida como “vibe coding”.
O case, analisado pela Comunidade Sem Codar, maior escola de No Code e IA da América Latina, fundada por Renato Asse. A experiência chamou atenção do mercado por demonstrar que uma empresa consolidada, com operação complexa e base ampla de usuários, conseguiu lançar seu produto mais premium em tempo recorde sem mobilizar grandes squads de tecnologia. A repercussão foi orgânica, viralizou nas redes sociais e chegou a ser compartilhada pelo fundador do próprio Lovable.
Segundo Renato Asse, o projeto só foi possível porque uniu ferramentas acessíveis a um profundo conhecimento de negócio e de produto. “Não foi uma aposta inconsequente nem um experimento superficial. A Qconcursos condensou mais de uma década de aprendizado sobre comportamento do estudante em um ciclo curto de desenvolvimento, usando IA para acelerar decisões que já estavam maduras”, analisa.
Diferentemente de iniciativas simples, o plano Elite exigiu uma estrutura robusta, com transmissões ao vivo, interação em tempo real entre alunos e professores, exercícios avançados, simulados com rankings dinâmicos, planejamento de estudos personalizado e integração total com a plataforma existente. O desenvolvimento técnico ficou concentrado em uma única pessoa, com liderança direta do CEO do GrupoQ, Caio Moretti, enquanto áreas como marketing, design e experiência do usuário participaram com feedback rápido e contínuo.
Para Asse, o episódio reforça uma mudança estrutural no papel da tecnologia dentro das empresas. “Ferramentas de vibe coding não substituem conhecimento técnico nem experiência. Elas ampliam a capacidade de execução de quem já entende o problema, o público e o valor a ser entregue. Em certos contextos, velocidade de entrega se torna mais estratégica do que arquiteturas excessivamente complexas”, afirma.
O impacto foi além do faturamento inicial. Após o lançamento, a própria organização passou a questionar seus modelos tradicionais de squads, roadmaps longos e estruturas fixas de desenvolvimento. A experiência mostrou que times temporários, focados em resolver problemas estratégicos específicos, podem gerar mais valor do que processos extensos e fragmentados.
Asse conclui: “O caso da Qconcursos evidencia que inteligência artificial aplicada de forma prática pode transformar não só produtos, mas também cultura, processos e tomada de decisão”. Segundo ele, empresas que conseguirem equilibrar risco calculado, domínio das ferramentas e clareza estratégica tendem a ganhar vantagem competitiva real nos próximos anos.

