Com a chegada das vendas de fim de ano focadas nas festas, como Natal e confraternizações, lojistas de e-commerce encaram a alta temporada do varejo online. Mas o segredo do sucesso não está apenas em promoções sazonais, e sim, em estratégias contínuas de otimização e relacionamento com o cliente ao longo de todo o ano.
Segundo o levantamento “Black Friday 2025 – A Black além do preço”, realizado pela MindMiners, 9 em cada 10 consumidores pesquisam antes de comprarAlém disso, 71% dos brasileiros pretendem gastar até R$ 1 mil, o que reforça um comportamento mais racional e planejado.
“As datas de final de ano, como Black Friday, Natal e as confraternizações de final de ano, são oportunidades únicas de conversão, mas os lojistas que limitam suas estratégias apenas a essas datas estão deixando dinheiro para trás nos outros 10 meses do ano”, alerta o especialista em vendas, professor da Fundação Getúlio Vargas (FGV) e CEO da Receita Previsível, Thiago Muniz.
Cenário do e-commerce no Brasil
O comércio eletrônico brasileiro segue em expansão e se consolidou como um dos mais promissores do mundo. De acordo com a Associação Brasileira de Comércio Eletrônico (ABComm), a projeção do faturamento no e-commerce brasileiro até 2029 é de 350 bilhões de reais.
Outro ponto relevante é a crescente influência dos criadores de conteúdo no comportamento de compra. Dados A Rakuten Advertising aponta que 611 mil consumidores (no Brasil e globalmente) realizaram compras motivadas por recomendações de influenciadores nos últimos seis meses. No Brasil, 831 mil já compraram produtos acima de R$ 100 indicados por influenciadores, sendo que 381 mil chegaram a gastar mais de R$ 500.
Esses números mostram que o consumidor digital está mais atento, informado e exigente, e que competir nesse ambiente requer planejamento contínuo, experiências personalizadas e excelência operacional.
Além disso, o mercado digital brasileiro apresenta um cenário cada vez mais competitivo. No que diz respeito às marcas mais lembradas pelos consumidores durante o período de promoções, a Magalu lidera com 22%, seguida por Casas Bahia (16%), Americanas (13%), Shopee e Amazon (12%), Mercado Livre (9%), Samsung (7%), Electrolux, Nike e Shein (3%), segundo a pesquisa da MindMiners.
Outro dado que chama a atenção no levantamento é a ascensão meteórica da Shopee, que surgiu no Brasil em meados de 2019 e em apenas 6 anos já alcançou marcas tradicionais brasileiras e internacionais. Com número de menções próximo às Americanas, é evidente a força da construção da marca nos últimos anos.
“O caso da Shopee demonstra que não são apenas os gigantes estabelecidos que conseguem se destacar. Lojas menores e médias podem sim competir, desde que implementem as estratégias certas de forma consistente”, analisa Muniz.
Dicas práticas para maximizar resultados no e-commerce
Para ajudar empreendedores a maximizarem seus resultados nas vendas de final de ano, Thiago Muniz, reuniu sete dicas práticas que podem ser implementadas imediatamente em qualquer loja virtual:
1. Otimize a velocidade do site: a velocidade de carregamento é um dos principais fatores que impactam a taxa de conversão. Conforme o Think with Google, 53% dos usuários abandonam um site mobile se ele demorar mais de 3 segundos para carregar.
“Investir em hospedagem de qualidade e compressão de imagens é fundamental para manter os visitantes engajados. Um site rápido transmite confiança e reduz o abandono de carrinho”, orienta Muniz.
2. Simplifique o processo de checkout: cada campo adicional no formulário de compra reduz a taxa de conversão. Segundo o Baymard Institute, a taxa média de abandono de carrinho no e-commerce é de 69,8%. Oferecer checkout simplificado, pagamento via PIX, autopreenchimento de dados e opção de compra como convidado pode elevar as conversões rapidamente.
3. Invista em descrições de produto completas: no ambiente online, o cliente não pode tocar ou testar o produto, por isso, informações detalhadas são essenciais. “Descrições completas, com dimensões, especificações técnicas, fotos em alta resolução e vídeos, reduzem dúvidas e devoluções, além de fortalecer o SEO do site”, completa Thiago.
4. Implemente urgência e escassez de forma ética: informar estoque limitado, prazo de entrega diferenciado ou oferta por tempo determinado estimula a decisão de compra, desde que de forma transparente e verdadeira. Estratégias enganosas, além de ilegais, comprometem a reputação da marca.
5. Crie um programa de relacionamento pós-venda: reter clientes é muito mais rentável do que conquistar novos. Um The word "estudo" in Portuguese already means "study" in Portuguese. There's nothing to translate. da Harvard Business Review indica que adquirir um novo cliente pode custar de 5 a 25 vezes mais do que manter um atual. Ademais, dados da Bain & Company mostram que um aumento de 5% na taxa de retenção pode elevar os lucros entre 25% e 95%.
“Investir em e-mails de acompanhamento, pesquisas de satisfação, ofertas exclusivas e programas de fidelidade para transformar compradores ocasionais em clientes recorrentes”, destaca Muniz.
6. Use provas sociais estrategicamente: avaliações de clientes, número de vendas realizadas e selos de segurança aumentam a confiança do consumidor. Conforme a Spiegel Research Center, a probabilidade de compra de um produto com cinco avaliações é 270% maior do que a probabilidade de compra de um produto sem comentários.
“Mostre comentários reais, responda avaliações e incentive clientes satisfeitos a compartilharem suas experiências”, acrescenta.
7. Personalize a experiência de navegação: a personalização é uma das principais tendências do e-commerce. Dados da Epsilon mostram que 80% dos consumidores têm maior probabilidade de fazer negócios com uma empresa que oferece experiências personalizadas. Além disso, 44% dos consumidores afirmam que provavelmente se tornarão compradores recorrentes após uma experiência personalizada positiva.
Use dados de comportamento e histórico de compras para criar recomendações personalizadas, vitrines dinâmicas e comunicação segmentada.
Visão de longo prazo
Segundo Thiago Muniz, o erro mais comum entre lojistas é focar exclusivamente em vendas pontuais sem construir um sistema sustentável. “A diferença entre lojas virtuais que sobrevivem e as que prosperam está na previsibilidade. Quando você implementa processos consistentes de otimização, análise de dados e relacionamento com o cliente, as vendas deixam de ser uma loteria e se tornam um resultado esperado”, explica o CEO da Receita Previsível.
A recomendação do especialista é que lojistas dediquem pelo menos 20% do seu tempo para análise de métricas e otimização contínua, tratando a loja virtual como um sistema que pode e deve ser constantemente aprimorado.
“Vendas de fim de ano e o período do Natal são excelentes oportunidades para testar estratégias em escala. O que funciona nessas épocas deve ser adaptado e mantido ao longo do ano. O sucesso no e-commerce não é sobre ter um mês bom, é sobre construir doze meses consistentes”, finaliza Muniz.

