Imagine criar um vídeo completo, com narração profissional e transições suaves, usando apenas comandos de voz no seu celular. Ou gerar uma apresentação empresarial com gráficos personalizados em menos de 5 minutos. Isso não é mais ficção científica nem cenário de Black Mirror.
Uma Pesquisa Recente pesquisa da agência Hedgehog Digital revelou que 75% dos brasileiros que utilizam IA fazem isso através do smartphone, mostrando que a revolução da inteligência artificial está literalmente na palma da nossa mão. O fenômeno ganhou força depois que o Google democratizou ferramentas como Gemini, Imagine e Veo (presumindo que 4 e 3 se refiram a versões ou nomes similares), transformando qualquer celular Android ou iPhone em um estúdio de criação completo.
“As mesmas ferramentas que um TikToker usa para criar conteúdo viral às 2h da madrugada são usadas por executivos para fechar negócios bilionários”, explica o especialista em vendas, especialista em tecnologia, professor da Fundação Getúlio Vargas (FGV) e CEO da Receita Previsível, Thiago Muniz.
Quando a Geração Z e a alta liderança usam as mesmas ferramentas
A convergência mais interessante não está na tecnologia, mas no comportamento. Pela primeira vez na história, um influenciador da Geração Z e um CEO estão usando as mesmas ferramentas para criar conteúdo, muitas vezes com objetivos diferentes, mas com efeitos semelhantes: engajamento, clareza e velocidade. A diferença não reside mais no acesso à tecnologia, mas na estratégia de aplicação.
According to The word "estudo" in Portuguese already means "study" in Portuguese. There's nothing to translate.TikTokno Brasil 2025De acordo com pesquisa realizada pela Opinion Box, 39% dos usuários brasileiros do TikTok utilizam a rede social para acompanhar conteúdos de marcas e empresas.
Essa convergência cultural entre o criador e o executivo está redefinindo o que chamamos de conteúdo profissional. O que antes era separado por linguagens (institucional vs. informal), hoje se encontra na estética, no formato e até no humor.
“Plataformas como o LinkedIn já estão cheias de vídeos que poderiam estar no TikTok, e estão. Só que agora eles falam sobre modelos de negócio, métricas de desempenho ou diferenciais competitivos”, ressalta Thiago Muniz.
Um exemplo prático dessa convergência é a Kwara, plataforma que vende bens, produtos e ativos de qualquer natureza para todo o Brasil, como explica o cofundador e CTO da empresa, Raimundo Onetto. “Queremos que a experiência de compra na Kwara seja tão fluida quanto rolar o feed de uma rede social. A inteligência artificial que estamos desenvolvendo é capaz de entender o comportamento do usuário e antecipar seus interesses, como faz o TikTok. Nosso objetivo é que o cliente não precise mais procurar um produto — ele será encontrado pelo que deseja, mesmo sem saber exatamente o que está buscando”.
Como Onetto destaca, o segredo do TikTok é sua curadoria que consegue “adivinhar” o gosto dos usuários que, mesmo sem perceberem ativamente, contam com todo esse conteúdo desejado passando diretamente na tela do seu celular. É essa mesma capacidade, alcançada pela inteligência artificial da rede social, que a Kwara está desenvolvendo para o seu site de leilões.
Com números impressionantes – 250.000 usuários ativos e mais de 5 milhões de visualizações por mês – a empresa descobriu que aplicar a linguagem visual das redes sociais funciona perfeitamente para explicar processos complexos de leilão. O resultado tem sido milhões de visualizações e um engajamento que muitas empresas tradicionais gostariam de ter.
Como funciona na prática?
O especialista Thiago Muniz listou 4 ferramentas de IA que podem ser utilizadas no ambiente corporativo e por criadores de conteúdo, veja a seguir:
- Para criação de imagens (Imagine 4): Comando por voz: “Crie uma imagem de uma executiva em São Paulo, analisando gráficos de crescimento, com o texto ‘Sua equipe está pronta para o próximo salto’ no canto inferior”. Em segundos, você tem uma imagem profissional, editável, pronta para LinkedIn, apresentações ou campanhas — sem designer, sem softwares complexos, sem briefings intermináveis.
- Para produção de vídeo (Vejo): Comando: “Mostre uma fábrica em funcionamento, destaque a tecnologia, adicione narração explicando nossos diferenciais competitivos.” Resultado: vídeo institucional completo, com transições suaves, áudio sincronizado e qualidade profissional (broadcast), tudo gerado por IA a partir de uma simples conversa.
- Para estratégia e conteúdo (Gemini Live): Você mostra um PDF, fala sobre seus objetivos e recebe campanhas completas, apresentações estruturadas e conteúdos adaptados para diferentes plataformas, tudo integrado ao seu Google Drive.
- Para criar apresentações (Gamma): Para quem tem dificuldade em criar apresentações no PowerPoint, por exemplo, esta plataforma de criação de apresentações interativas usa inteligência artificial para transformar ideias, textos ou documentos em slides visualmente profissionais, sem necessidade de design ou do PowerPoint. Ideal para quem busca agilidade, clareza e impacto visual em propostas, pitches ou treinamentos.
Democratização x especialização: o novo mercado de trabalho
“Mas isso vai acabar com designers e cinegrafistas?” A resposta é mais sutil. O que vai acabar é a criação braçal e repetitiva. O que está emergindo é a demanda por profissionais que sabem direcionar, validar e ampliar o que a IA produz.
O valor agora está em quem sabe usar os comandos certos, entende de estratégia de conteúdo, consegue se adaptar rapidamente a diferentes contextos e domina a linguagem visual que engaja. “Costumo dizer para os meus alunos: ‘Você não precisa ser designer nem videomaker. Você precisa saber pensar estrategicamente, ser aquele que consegue direcionar o que deseja e saber delegar o restante à IA’”, afirma Muniz.
Para as PME's ou consultores, a disrupção é ainda maior. Porque, com o celular e essas ferramentas:
- Você economiza semanas entre a ideia e a execução.
- Você se posiciona com visual profissional sem precisar de uma equipe cara.
O Google, entre outras empresas de inteligência artificial, não mostrou ferramentas para o futuro. Mostrou ferramentas para tirar o atraso de quem ainda depende de planilha, briefing manual e retrabalho visual. Se você está com o aplicativo do Gemini, por exemplo, no seu celular, já pode:
- Gerar imagens com texto para campanhas
- Criar vídeos com narração para vendas
- Criar conteúdo explicativo para clientes
- Transformar PDFs em apresentações multimídia
E o melhor: sem precisar sair do WhatsApp, do e-mail ou da tela do celular.
O futuro do trabalho é uma parceria, não uma competição.
A revolução da IA móvel não está aqui para substituir profissionais — está aqui para potencializá-los. A diferença entre quem vai prosperar e quem vai ficar para trás não está em resistir à tecnologia, mas em abraçá-la como uma parceira de trabalho.
O medo da IA geralmente vem do desconhecido. Quando você começa a usar essas ferramentas no dia a dia, percebe que elas não fazem o trabalho *por* você — elas fazem o trabalho *com* você. com “Você, de forma muito mais inteligente”, explica Thiago Muniz.
Na prática, isso significa menos tempo gasto com tarefas repetitivas e mais energia disponível para estratégia, relacionamento e criatividade. Um designer pode se concentrar no conceito enquanto a IA cuida da execução. Um executivo pode dedicar mais tempo à análise enquanto a IA organiza os dados. Um empreendedor pode se concentrar nos negócios enquanto a IA cuida da comunicação visual.
A pergunta não é mais "a IA vai tomar meu emprego?", mas sim "como posso usar a IA para tornar meu trabalho mais interessante, mais estratégico e mais eficiente?".
“Seu celular já tem as ferramentas. A tecnologia já está disponível. O que falta é apenas começar a experimentar e descobrir como essa parceria pode transformar sua rotina de trabalho”, finaliza Thiago.

