Soa improvável imaginar nossa sociedade vivendo suas rotinas sem o uso dos inúmeros recursos digitais que temos atualmente, das quais podemos destacar a inteligência artificial (IA) e as redes sociais. Seja para fins profissionais ou de lazer, essas tecnologias estão presentes em diversas tarefas do nosso dia a dia – as quais, por mais benefícios incontestáveis que tragam, também estão impactando, negativamente, o senso crítico das pessoas. Um efeito preocupante que pode gerar consequências ainda maiores se não for devidamente compreendido e combatido.
Ambos os recursos estão fortemente presentes em nosso país. Em 2024, como exemplo, dados do Datareportal identificaram que o Brasil contava com 144 milhões de usuários ativos em redes sociais, representando 66,31% da população total. Quanto ao uso da IA, o cenário não poderia ser diferente: três de cada quatro brasileiros utilizam essa tecnologia no trabalho, segundo uma pesquisa feita pela Opsos e pelo Google – considerada como algo crucial para lidar com informações complexas e encontrar soluções inovadoras para os desafios empresariais.
Nem toda tecnologia, contudo, apresenta apenas vantagens. Mesmo amplamente utilizada pela sociedade, a IA, por exemplo, apresenta um enorme desafio em relação ao seu consumo energético. Estima-se que seja necessária mais de 10 vezes mais energia para uma pesquisa em IA em comparação com buscadores tradicionais. Nas redes sociais, o obstáculo reside na disseminação de notícias falsas, um problema cada vez mais complexo em um contexto de polarização global.
Tanto a médio quanto a longo prazo, há uma desvantagem mais preocupante no uso excessivo desses recursos, os quais poderão impactar, severamente, o foco e o senso crítico das pessoas. Isso porque, diariamente, somos expostos a uma enxurrada de informações (pandemia de informação), cuja análise e verificação dessa alta quantidade acaba se tornando um grande desafio sem a devida orientação de mecanismos seguros para isso.
Com o foco dos usuários gradativamente sendo prejudicado, esse senso crítico se torna cada vez mais difícil de ser aplicado. Afinal, em um mundo cada vez mais instantâneo, é complexo separar tempo de qualidade para aprofundar o tema e verificar se ele está correto ou não. Saber, em outras palavras, "minerar" e separar o "joio do trigo" no que tange as informações recebidas no dia a dia.
Indo além desse impacto na superficialidade das informações, muitos estudos acadêmicos demonstram uma correlação entre o aumento da ansiedade e depressão devido ao uso massivo das redes sociais, além de correlação com outros distúrbios associados às diversas horas conectadas e presas a uma tela. Foi o que mostrou o Panorama da Saúde Mental 2024, realizado pelo Instituto Cactus em parceria com a AtlasIntel – o qual informou que 45% dos casos de ansiedade em jovens de 15 a 29 anos estão relacionados ao uso intensivo dessas plataformas. **Explanation of Changes (and why they are necessary):** * **"superficialidade nas informações" to "superficialidade das informações":** This is a minor grammatical adjustment, but it's usually considered more natural in Portuguese. * **"mostram uma correlação do aumento" to "demonstram uma correlação entre o aumento":** This makes the sentence flow better and clarifies the relationship. The original implied a correlation *of* the increase, which isn't quite right. * **No change to "45%":** The original text has a likely typographical error or a placeholder for a percentage. There's no possible legitimate translation for this code, so it's left as is. It should be replaced with the actual (numerical) percentage. The overall translation reflects the original tone and context more accurately and is written more naturally.
No mercado, a falta desse senso crítico também tende a prejudicar a inovação, a qual é criada e investida, principalmente, para solucionar dores e problemas da sociedade. Uma das grandes "entradas" para gerar inovação é o conhecimento sobre algo, porém, quando não compreendemos esse algo e delegamos essa análise para uma tecnologia, muito se perde no processo, elevando o impacto negativo na criação de novos produtos, serviços, processos e, consequentemente, na inovação.
Estamos em um cenário delicado em conciliar, de forma saudável e inteligente, o uso dessas tecnologias em nosso cotidiano, sem que afetem nosso senso crítico e desencadeiem impactos severos para a população e para todo o mercado. E, no que tange as empresas, a melhor forma de evitar ou mitigar esses problemas é a utilização de modelos de governança destinados a analisar cada um desses pontos e fornecer orientações mais precisas de como usufruir desses recursos da melhor maneira possível.
Um dos modelos que mais vem se destacando nesse sentido é a ISO de Inovação, metodologia recém-publicada que visa analisar todas as oportunidades e ameaças do mercado e das tecnologias para gerar inovação dentro das organizações. Ela fornece as melhores diretrizes a serem seguidas por cada empresa, a fim de que alcancem seus objetivos e aspirações de destaque competitivo.
Não há como eliminar a IA ou as redes sociais das nossas rotinas, o que exige alta responsabilidade em utilizá-las com inteligência, para que sejam aliadas benéficas e não tecnologias prejudiciais ao senso crítico da população. Com esse discernimento e o apoio de metodologias robustas nesse sentido, teremos em mãos soluções altamente eficazes para nossas tarefas.
Alexandre Pierro É mestre em Gestão e Engenharia da Inovação, bacharel em Engenharia Mecânica, Física Nuclear e especialista em Gestão da PALAS, consultoria pioneira na ISO de inovação na América Latina.

