A inteligência artificial (IA), particularmente em sua forma generativa, deixou de ser uma promessa distante e tornou-se uma realidade concreta no mundo empresarial. Embora o assunto tenha ganhado destaque recentemente, seu progresso não foi repentino: é o resultado do amadurecimento de uma tecnologia desenvolvida ao longo de décadas, que agora está sendo aplicada de forma prática em quase todas as áreas da economia.
No mundo do marketing, a influência da IA é clara. O setor, que por muito tempo foi guiado por intuição e experiência, tem passado por uma transição nas últimas duas décadas em direção a uma abordagem mais orientada a dados. Esse movimento criou um ambiente especialmente propício para a adoção de tecnologias baseadas em inteligência artificial. Com o grande volume de informações sobre o comportamento do consumidor, o desempenho das campanhas e as tendências de mercado, tornou-se crucial contar com ferramentas capazes de processar, comparar e interpretar dados em tempo real.
A IA generativa tem sido usada não só para análise de dados, mas também para acelerar o processo criativo. Atualmente, é possível simular perfis de consumidores, testar diferentes abordagens criativas e prever a receção de uma campanha antes mesmo de ser lançada. Tarefas que antes exigiam semanas — ou mesmo meses — de pesquisa qualitativa com grupos focais em diferentes localidades, agora podem ser realizadas em poucos dias com o apoio da tecnologia.
Isso não significa que a pesquisa tradicional se tornou obsoleta. O que ocorre é a complementaridade: a IA permite uma etapa prévia de experimentação e validação, que torna o processo mais ágil, eficiente e econômico. A tomada de decisão baseada em dados passa a ser aliada da criatividade, não sua substituta.
Fora do marketing, o uso da inteligência artificial também está se expandindo em áreas como ciência de materiais, cosméticos e bem-estar animal. Testes que antes dependiam do uso de animais estão sendo substituídos por simulações computacionais sofisticadas, capazes de prever reações químicas e interações entre compostos com um alto grau de precisão. Nesse sentido, a IA atua como catalisadora de uma mudança ética e técnica simultaneamente.
Mais do que uma ferramenta individual, a inteligência artificial tornou-se uma espécie de "orquestradora" de outras tecnologias emergentes. Quando combinada com automação, modelagem 3D, big data e Internet das Coisas (IoT), ela abre caminho para soluções até então impensáveis - inclusive a criação de novos materiais e a reconfiguração de cadeias produtivas inteiras.
O desafio atual não é mais sobre entender "se" a inteligência artificial será incorporada às operações cotidianas das empresas, mas sim "como" isso será feito de forma responsável, transparente e estratégica. O impacto transformador da tecnologia é inegável, porém sua implementação requer cautela, diretrizes éticas e desenvolvimento contínuo.
Diferentemente do que se pensa, a inteligência artificial não substitui a inteligência humana — ela a potencializa. E as empresas que conseguirem fazer esse equilíbrio terão uma vantagem competitiva num mercado cada vez mais dinâmico e exigente.

