O trabalho com carteira assinada deixou de ser o destino final para uma parcela crescente dos brasileiros. Em meio à limitação de ganhos, à rigidez de horários e à sensação de pouco controle sobre a própria trajetória, as plataformas digitais passaram a ocupar um espaço que antes era exclusivo do emprego formal. Entre elas, o Mercado Livre desponta como uma das principais portas de entrada para quem busca construir renda própria e maior autonomia.
Dados divulgados pela própria companhia mostram que o número de vendedores ativos no Brasil cresce de forma consistente ano após ano, acompanhando a expansão do comércio eletrônico no país. Segundo estimativas do setor, uma base expressiva de brasileiros já utiliza marketplaces como fonte de renda, e para uma parcela relevante deles, essa atividade deixou de ser complementar e passou a ser a principal ocupação profissional.
Do emprego fixo à autonomia financeira
O movimento é alimentado por uma combinação de fatores econômicos e comportamentais. A inflação pressionou o custo de vida, enquanto reajustes salariais seguem limitados em diversos setores. Ao mesmo tempo, o comércio digital amadureceu, reduziu barreiras de entrada e passou a oferecer infraestrutura logística, meios de pagamento e alcance nacional até para pequenos vendedores.
“O que observamos é que muitas pessoas chegam ao Mercado Livre depois de anos de frustração com o modelo tradicional de trabalho”, afirma Hugo Vasconcelos, bacharel em administração de empresas e especialista em vendas de produtos físicos por marketplaces e sócio-fundador da VDV Group, empresa que acompanha de perto a transição de profissionais para o empreendedorismo digital. “Não é apenas sobre ganhar um dinheiro extra. É sobre ter controle da própria agenda, escalar ganhos de acordo com o esforço e construir algo que seja seu.”
Empreendedorismo digital como carreira
Ao contrário da imagem de informalidade que marcou o comércio online em seus primeiros anos, vender em marketplaces passou a exigir planejamento, gestão e visão de longo prazo. Para muitos brasileiros, o Mercado Livre funciona como um laboratório de empreendedorismo: começa-se pequeno, aprende-se sobre precificação, estoque, logística e atendimento, e, com o tempo, a operação ganha estrutura.
Segundo Hugo, a plataforma se tornou uma espécie de “CLT do digital” para quem busca previsibilidade de demanda aliada à flexibilidade. “A diferença é que não existe teto salarial imposto. Quem entende o jogo, investe em método e profissionaliza a operação é quem consegue transformar as vendas em renda principal e recorrente”, diz.
Por que esse movimento cresce no Brasil
O cenário do mercado de trabalho ajuda a explicar a tendência. Pesquisas recentes sobre satisfação profissional indicam aumento do desalinhamento entre expectativas dos trabalhadores e a realidade das empresas, especialmente entre jovens adultos. A busca por propósito, flexibilidade e independência financeira ganhou peso na tomada de decisão.
Além disso, o avanço da logística e dos meios de pagamento digitais reduziu riscos e custos iniciais. “Hoje, a pessoa não precisa de uma loja física, nem de um grande capital inicial para começar. Isso democratizou o acesso ao empreendedorismo”, avalia o especialista da VDV.
Os erros mais comuns e o que diferencia quem dá certo
Apesar do crescimento, a migração não é automática nem livre de riscos. Um dos erros mais frequentes, segundo a VDV, é tratar a venda online como improviso. “Muita gente entra achando que é simples e quebra logo no início por falta de planejamento financeiro, escolha errada de produtos ou desconhecimento das regras da plataforma”, afirma Vasconcelos.
Outro ponto crítico é confundir liberdade com ausência de disciplina. “Quem transforma isso em carreira entende que autonomia vem acompanhada de método, rotina e gestão. Não é menos trabalho, é outro tipo de trabalho”, resume.
Mais que renda extra, uma mudança de trajetória
O crescimento do número de brasileiros que deixam a CLT para empreender em marketplaces sinaliza uma transformação mais profunda no modo como o país encara o trabalho. Para uma geração pressionada por custos elevados e poucas perspectivas de progressão no modelo tradicional, o comércio digital surge como alternativa concreta de mobilidade econômica.
“Estamos falando de pessoas que reescrevem a própria trajetória profissional”, conclui Vasconcelos. “Quando bem estruturada, a venda no Mercado Livre deixa de ser um plano B e passa a ser um projeto de vida.”


