O ano de 2026 marca um ponto de inflexão na economia digital brasileira com a sanção da Lei nº 15.325/2026, que reconhece e regulamenta oficialmente a profissão de influenciador digital. A nova legislação retira a criação de conteúdo da informalidade e estabelece diretrizes para um setor que se tornou a principal aspiração profissional da juventude no país.
Segundo pesquisa da INFLR, 75% dos jovens brasileiros sonham em atuar como criadores de conteúdo. A nova lei chega para estruturar esse desejo coletivo, transformando o que antes era visto como um “caminho improvisado entre posts virais” em uma atividade multimídia regida por responsabilidade jurídica e critérios comerciais claros.
O Fim do Amadorismo
Para Camila Renaux, especialista em marketing digital, a nova legislação provoca uma mudança cultural que transcende o texto jurídico. A era do influenciador amador, que operava sem estratégia ou preocupação com o impacto social, está chegando ao fim.
“A grande virada não está apenas no texto da lei, mas na mudança de mentalidade. A partir de agora, não dá mais para tratar o marketing de influência como algo acessório. Ele passa a exigir planejamento, profissionalismo e responsabilidade real sobre o que é comunicado”, analisa Renaux.
Mudanças nas Relações Comerciais
O impacto imediato será sentido nos departamentos de marketing e agências de publicidade. A previsão é de um mercado mais seletivo:
- Contratos Rígidos: Acordos verbais ou informais darão lugar a contratos detalhados.
- Transparência Obrigatória: A sinalização de conteúdo patrocinado deixa de ser uma “boa prática” para se tornar exigência legal básica.
- Filtro de Qualidade: Marcas tendem a priorizar criadores com reputação sólida e dados estruturados, em detrimento de perfis que possuem apenas números de alcance (métricas de vaidade) mas carecem de profissionalismo.
A especialista alerta que a influência sustentada apenas na informalidade perderá espaço. “Sobrevive quem entende impacto, reputação e responsabilidade”, pontua Renaux.
Impacto Social e o Futuro da Profissão
A regulamentação também desempenha um papel pedagógico. Ao impor limites éticos e profissionais, a lei busca proteger o imaginário de crianças e adolescentes, evitando que a carreira seja construída sobre a precarização ou a ilusão de dinheiro fácil.
O novo cenário não visa limitar a criatividade, mas redefinir as expectativas. O foco do mercado migra do volume de publicações para a consistência e a coerência da mensagem. “O setor entra em uma fase em que visibilidade sozinha já não basta. Influenciar, agora, é — ainda mais — assumir consequências pelo que é produzido e compartilhado”, conclui a especialista.

