A expansão acelerada do comércio eletrônico no Brasil provocou uma mudança estrutural na forma como vendedores operam dentro dos grandes marketplaces. No ecossistema do Mercado Livre, a logística deixou de ser apenas uma engrenagem operacional de bastidores para assumir o papel de protagonista na estratégia de vendas, influenciando diretamente a visibilidade dos anúncios e a rentabilidade do negócio.
A tendência da vez é a logística regionalizada. O modelo, que consiste na distribuição inteligente de estoques em centros de fulfillment ou hubs situados próximos aos grandes polos consumidores, tem se mostrado a chave para reduzir o tempo de entrega — hoje um dos fatores mais críticos na decisão de compra.
Segundo Hugo Vasconcelos, especialista em vendas no Mercado Livre, a proximidade física entre o produto e o cliente final cria um diferencial competitivo imediato.
“Quando o produto está mais próximo do cliente, o vendedor ganha eficiência, reduz atritos na compra e melhora a experiência do consumidor, que hoje é um fator determinante para a conversão”, afirma Vasconcelos.
Eficiência operacional e proteção de margens
A lógica por trás da regionalização vai além da velocidade. Ao descentralizar a operação, o vendedor minimiza riscos operacionais e aumenta a previsibilidade das entregas, um ativo valioso durante períodos de alta demanda, como a Black Friday e o Natal. Vasconcelos alerta que a concentração de estoque em um único ponto expõe o negócio a maiores riscos de atrasos e perda de competitividade.
Além da agilidade, o impacto financeiro é tangível. Estudos do setor indicam que o frete representa uma fatia considerável dos custos totais no e-commerce. A regionalização atua como um mecanismo de defesa das margens de lucro, diluindo o impacto do custo de transporte nas operações de longa distância.
“A logística regionalizada deixou de ser uma decisão tática e passou a ser estratégica para a saúde financeira do negócio”, pontua o especialista.
O consumidor dita a regra
A mudança na infraestrutura dos vendedores reflete diretamente o comportamento do consumidor brasileiro. Levantamentos da NielsenIQ|Ebit apontam que o prazo de entrega estendido e o valor elevado do frete figuram entre os principais motivos para o abandono de carrinho.
Ao encurtar as distâncias, o vendedor elimina objeções no momento do checkout. “Hoje, logística e estratégia comercial caminham juntas. Quem trata logística apenas como custo perde relevância”, analisa Vasconcelos.
Para os próximos anos, a expectativa é que esse modelo se intensifique, impulsionado pelos investimentos massivos dos próprios marketplaces em infraestrutura logística pelo país. Para quem vende, a mensagem é clara: antecipar-se a essa estrutura não é apenas uma vantagem momentânea, mas uma preparação necessária para um mercado cada vez mais profissional.
Destaques da Estratégia Regionalizada
Para facilitar a leitura, aqui estão os pontos-chave levantados na reportagem:
- Visibilidade: Anúncios com entrega rápida (Full) ganham destaque no algoritmo do marketplace.
- Redução de Custos: Estoques locais diminuem o valor do frete, protegendo a margem de lucro.
- Conversão: Menor prazo de entrega reduz o abandono de carrinho.
- Gestão de Risco: Evita gargalos operacionais típicos de estoques centralizados em datas sazonais.

