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Millennials trocam metas tradicionais por “alegria estratégica” e redefinem consumo em 2026

Os millennials estão atravessando uma inflexão silenciosa, mas estrutural, na forma como organizam a vida, consomem e se relacionam com o tempo. Após mais de uma década marcada pela promessa de eficiência total (no trabalho, na tecnologia e nas rotinas pessoais), essa geração começa a abandonar metas tradicionais de sucesso para adotar o que pesquisadores definem como “alegria estratégica”: decisões conscientes voltadas à preservação da energia mental e à recuperação de autonomia sobre o cotidiano.

De acordo com um estudo da WGSN, esse movimento é uma reação direta à chamada “pobreza de tempo”, fenômeno que combina sobrecarga de estímulos, hiperconectividade e a sensação permanente de urgência. Com cerca de 1,7 bilhão de pessoas globalmente, os millennials não estão apenas ajustando hábitos individuais, mas redesenhando padrões de consumo com impacto direto sobre varejo, tecnologia e serviços. Em 2026, a pergunta central deixou de ser como fazer mais em menos tempo e passou a ser o que, de fato, merece ocupar atenção.

Esse reposicionamento aparece de forma clara na relação com a conveniência. Se no passado a automação irrestrita era vista como sinônimo de progresso, hoje ela se tornou seletiva. A geração aceita e até exige máxima eficiência apenas em tarefas consideradas burocráticas (entregas, pagamentos, devoluções), enquanto demonstra maior tolerância à fricção em atividades percebidas como valiosas, como lazer, descanso e experiências pessoais. O conceito de friction-maxxing, identificado pela WGSN, traduz essa lógica: eliminar atritos onde eles apenas drenam energia e permitir processos mais lentos onde há significado.

A mudança também se reflete na forma como os millennials lidam com a tecnologia. O estudo aponta que estabelecer limites digitais rigorosos dentro de casa se tornou um novo marcador simbólico de status. Optar por não monitorar cada passo do corpo, reduzir a exposição nas redes sociais ou simplesmente não transformar férias em conteúdo são decisões que sinalizam um afastamento deliberado da cultura da performance contínua. Nesse contexto, o tédio deixa de ser visto como falha de produtividade e passa a ser reconhecido como um componente necessário da recuperação cognitiva.

Segundo Hygor Roque, Head of Revenue da Divibank, esse comportamento redefine expectativas em relação às marcas. “O consumidor millennial de 2026 demonstra maior sensibilidade a práticas de coleta de dados, desenho de interfaces e estímulos de engajamento. A busca não é apenas por rapidez, mas por relações baseadas em confiança, previsibilidade e respeito ao tempo do usuário. Empresas que insistem em modelos de atenção infinita, notificações constantes e gamificação excessiva passam a ser percebidas como invasivas, não inovadoras”, afirma.

Do ponto de vista econômico, o peso dessa geração permanece central. Com uma renda coletiva projetada para ultrapassar US$ 4 trilhões até 2030, os millennials seguem como um dos principais motores do consumo global. A diferença está no critério de escolha. Produtos multifuncionais, serviços que resolvem problemas reais e propostas transparentes tendem a ganhar espaço em relação a soluções que apenas prometem otimização abstrata ou acúmulo de funcionalidades.

No Brasil, onde o debate sobre equilíbrio entre vida pessoal e trabalho ganha tração em meio a jornadas extensas e instabilidade econômica, esse movimento encontra terreno fértil. A capacidade de oferecer conveniência sem capturar tempo em excesso, eficiência sem exaustão e tecnologia sem dependência emerge como um diferencial competitivo relevante. Em 2026, o valor não está apenas em economizar minutos, mas em permitir que eles sejam convertidos em qualidade de vida, um ativo cada vez mais escasso e, para os millennials, cada vez mais inegociável. Caso tenha interesse na pauta, basta me avisar que faço a ponte com a executiva.

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